Aconteceu comigo

Surpresa! O teste deu positivo, e agora?

25 de janeiro de 2018

Minha vida virou do avesso quando descobri que seria mãe com 23 anos. Não foi planejado, foi um susto. Confesso que fiquei em estado de órbita por alguns instantes e pensei: “F-u-d-e-u!”. Senta que lá vem textão! :)

WhatsApp Image 2018-01-24 at 13.06.17Conheci meu namorado no final de 2014 em uma festa. Nós começamos a sair juntos depois disso e logo ele me contou que já estava de viagem marcada pra Irlanda em fevereiro de 2015, um intercâmbio, ficaria estudando lá em torno de 1 ano. Eu não tinha condições de me aventurar nessa viagem junto, não sabia o que ia ser da gente e ele tinha me marcado como ninguém. Sentia uma coisa por ele sem igual, muito especial. Vocês acreditam em vidas passadas? Pois é. Parecia coisa de outra vida. Ele viajou e mantivemos contato por Skype diariamente e planejamos um mochilão juntos pra outubro do mesmo ano.

Quando retornamos pro Brasil, ele voltou comigo, e em nosso primeiro verão por aqui, perto do Carnaval, descobri que estava grávida. Não me esqueço desse dia nem por um segundo. Eu tomava pílula, mas deixei de tomar quando ele foi viajar e retornei a usá-la quando fui pro mochilão. Mas eu era irresponsável, esquecia, pulava, tomava duas juntas (a atrasada e a do dia) e não usava camisinha. Além disso, meu ciclo menstrual sempre foi bem louco, desregulado e, pra contribuir, tenho ovário policístico.

Sendo assim, havia ficado menstruada normalmente no inicio de janeiro, como o “previsto” na cartelinha do anticoncepcional e no aplicativo para IOS (P.C – um livrinho rosa com uma flor) que uso pra ter um controle melhor da minha menstruação, período fértil e etc. Eu estranhei que fiquei um pouquinho menstruada, ou achava que estava, quase uma semana depois do meu ciclo ter terminado. Aquilo me intrigou, pois não é normal, nunca tinha acontecido e logo marquei ginecologista, explicando que eu tive um leve sangramento e que achei estranho. No fundo sentia que tinha algo a mais nisso. Mesmo com a consulta agendada, fiquei com uma “pulga atrás da orelha”, pedi pro meu namorado me levar à farmácia sem dizer o motivo e pedi o melhor teste de gravidez que podiam me oferecer.

Sem falar nada pro meu namorado e nem pra ninguém, cheguei na casa dos meus sogros, fui pro banheiro e fiquei em silêncio, segui as instruções que indicava na embalagem, tomei coragem e fiz. Gente, que minuto que não passava! Por fim, resultado positivo. Meu pensamento na hora foi de que aquilo podia ter dado errado, alterado, mas será? Na embalagem estava escrito que é pra ser mais de 99% de precisão. Eu comprei mais um teste pra confirmar minhas dúvidas e deu positivo.

Fiquei nervosa, quando fico nervosa eu começo a ter uns ataques de risos, pode isso, produção? EuWhatsApp Image 2018-01-25 at 15.14.38 contei isso pro meu namorado rindo e ele achou que era brincadeira. Mas eu estava falando sério, nunca falei tão sério na minha vida. O menino ficou apavorado quando mostrei os testes, ele andava de um lado pro outro nervoso, suando frio, chocado, apavorado. Não foi uma reação boa. Eu esperei só um abraço de conforto, mas não tive. A reação dele foi péssima, me falou um monte de coisas por impulso, me senti tão mal, porque eu sempre tive desejo de ser mãe, mas claro, não agora, não naquele momento e, afinal, ele também foi irresponsável.

A semana passou e fui consultar a minha ginecologista, relatei o que ocorreu e ela disse que a possibilidade era grande, me deu vários conselhos, foi extremamente atenciosa, procurando me acalmar. Ela me orientou que fizesse um exame de sangue que detecta o hormônio gonadotrofina coriônica humana (que tem como sigla HCG) que é produzido pela placenta, quando a mulher está grávida. Dessa forma, me dirigi ao laboratório e o resultado quando ficou pronto se confirmou, realmente não tinha mais dúvidas.

A sensação que tive na hora, foi como se levasse um tapa na cara, não foi fácil de lidar, não era isso que tinha planejado pra minha vida. Além disso, tive que dar um tempo pro meu namorado “juntar os pauzinhos”, se inteirar e acordar pra vida. Precisei ser madura, tomar a frente, engolir uns sapos, me impor e, ao longo disso, tivemos muitos conflitos e discussões. Além dos nossos pais, poucos sabiam, mas quem sabia nos mostrou apoio e pra isso não existem palavras, pois o apoio emocional é extremamente importante e necessário do início ao fim de uma gestação.

O maior problema que enfrentei nesse processo foi à aceitação do meu namorado, pois ele ficou um pouco revoltado com a notícia. Ele queria sair pras festas e eventos como se nada estivesse acontecendo. Uma fuga. Isso me deixava muito chateada, pois pra mim ele estava sendo egoísta. Porém, me colocava também no lugar dele, pois, me peguei achando que egoísta era eu de não respeitar o seu processo de aceitação.

Nas primeiras semanas de gravidez, tive sangramento, porque tinha um cisto no ovário e precisei ficar de repouso e ter um cuidado redobrado. Nós escondemos dos nossos amigos e outros familiares por quase 5 meses minha gestação e não, eu não aparentava estar grávida, meu corpo não tinha mudado muito. Para mim, foram longos 5 meses que eu inventava desculpas esfarrapadas sobre o porquê de não estar bebendo (não pode!), comendo algo diferente (enjôo/azia), indo pras baladas e fazendo coisas que antes fazia com frequência. Apesar de ter o apoio da minha família, eu me sentia tão desamparada emocionalmente pelo meu namorado e, além disso, tinha que estar mentindo pros meus amigos, o motivo de não querer me estender nos lugares, afinal, sempre fui muito empolgada e animada pra sair e agora tudo que antes fazia, eu não podia e ele querendo seguir naquele ritmo frenético. Eu não queria mais isso, precisava me cuidar e ainda tive que escutar que estava virada numa chata.

Na época o que me confortava era escrever. Escrevia tudo o que sentia, inclusive nas cartas encontrava uma conexão maior com meu filho, pois não sabia qual seria o destino entre eu e o pai dele, pois foi bem complicado ele encarar a vida de frente, assumindo a responsabilidade. O conflito interno dele, é que ele queria ficar comigo, mas não se enxergava pai, não conseguia aceitar a ideia de ter que abrir mão dos planos que tínhamos juntos por um filho. Dessa forma, além de segurar a minha barra, segurei a dele. Eu vi que ele precisava de mais apoio emocional do que eu naquele momento e foi isso que proporcionei. Conversava, dava conselhos, abraçava, o fiz tentar enxergar a vida a partir disso com outra visão das coisas.

Minha gravidez não foi programada, repleta de fotos, books de grávida, sorrisos, surpresas e, muito menos, de conseguirmos planejar o quartinho do bebê juntos. Nós também não tínhamos estabilidade financeira, dependíamos dos nossos pais. O que ganhávamos trabalhando não era nem 1/3 do que precisaríamos pra arcar com as despesas de um casal com um filho.

Confesso que foi um pouco frustrante, mas nem por isso, deixei de fazer planos. Construí um laço com meu bebê. Fiz de tudo pra aproximar o meu namorado pra adquirir, também, uma conexão. Não deixei de me cuidar e fiz o pré-natal direitinho, o que é muito importante, ter esse acompanhamento durante toda a gestação. Queria que a gente se tornasse uma família unida, mas também pensava que independente de estarmos ou não juntos, o que mais importava era que nosso filho se desenvolvesse bem e que nascesse com saúde. Não me perdoaria se eu fizesse algo errado que o prejudicaria. E caso eu tivesse que criar o nosso filho sozinha, sendo mãe solteira, que mal tem nisso?WhatsApp Image 2018-01-24 at 13.08.58 Mas no fundo, amando ou não, tu desejas que o pai da criança assuma e seja presente. Eu não desisti fácil. Persisti. Criei expectativa.

Quando estava com 7 meses, foi um marco, pois meu namorado começou a ser mais participativo e aparentou estar aceitando melhor a ideia do que teríamos que encarar pela frente. Ele me acompanhava nos exames, consultas e, de vez em quando, arriscava colocar a mão na barriga. Nós alugamos um apartamento, fizemos nosso cantinho e as coisas começaram a fluir melhor. A partir disso, só melhorou tudo e, pra minha surpresa, o Théo me presenteou nascendo no dia do meu aniversário.

Hoje somos uma família unida, feliz, cheia de planos, ambos trabalhamos e estamos batalhando pelo melhor do nosso filho. Meu “namorido” (kkk) tem me surpreendido como pai e o Théo já tem 1 ano. Ele é um bebê muito abençoado, esperto, sorridente, carinhoso, apegado a nós e, inclusive, frequenta a escolinha.

Sabe, foi preciso muito amadurecimento, persistência, paciência, dedicação, carinho, amor, reciprocidade e, principalmente, empatia pelo outro pra que as coisas dessem certo na situação em que nos encontrávamos quando descobrimos, no “auge” da nossa liberdade de viver a vida. Mas hoje posso dizer que tudo são fases. Depois disso já viajamos sozinhos, voltamos a sair, fizemos as mesmas coisas de antes de nos tornarmos pais, claro que moderadamente, mas a rotina volta.

WhatsApp Image 2018-01-24 at 13.07.34Ser mãe e pai não é tarefa fácil, filho não vem com manual de instruções, tu se torna mãe e pai a cada dia, a cada novo suspiro e pico de desenvolvimento do seu bebê. Agora podemos dizer com propriedade que ter um filho foi uma das melhores coisas que aconteceram em nossas vidas e que tudo acontece na hora certa, nada é em vão. Diariamente temos uma dose extra de amor e é algo imensurável e sem igual redescobrir o mundo junto com o nosso pequeno.

O destino não brinca. Mas lembre-se, o Universo é perfeito, se não te deu o que buscava, te ensinou o que precisava.

Os: use camisinha!

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Beijos, gatas!

Carol2

1 Comentário

  • Reply Carol 25 de janeiro de 2018 at 20:43

    Maravilhosa!

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