Fleurity Girls comentam

Duília de Mello, a mulher que vivia com as estrelas

19 de março de 2018

Já pensou se observar o céu e encontrar estrelas, até então, desconhecidas pela humanidade, fosse sua profissão? Pois Duília Fernandes de Mello, astrofísica brasileira, vive essa realidade e, ainda mais, é colaboradora da NASA, agência espacial dos Estados Unidos.

Duília conta que o amor pela ciência começou ainda na infância, por ser uma criança curiosa. Então, após uma visita, com sua mãe, ao observatório do Valongo, no Rio de Janeiro, a menina conheceu diversos astrônomos e se apaixonou, ainda mais, pelos mistérios do universo.

Mas como entrar em um mundo considerado “de menino”, afinal, mesmo em pleno século XXI, a ciência é uma área predominantemente masculina? É preciso encarar o desconhecido. Enfrentar, não só o que se desconhece fora do planeta Terra, mas bater de frente com pessoas que não te acham boa o suficiente, que acham a profissão difícil demais para uma mulher, afinal, se você precisa se dedicar 100% à ciência, como vai cuidar da casa, filhos, casamento, heim? (Haja paciência!).

“Não se intimidem! Pois separar carreiras entre meninos e meninas danifica a sociedade. Precisamos de igualdade em todas as profissões”, aconselha a astrônoma (que é muito bem casada, sociedade), e que, ao longo dos anos viu o número de mulheres talentosas na ciência aumentar (vale lembrar que parar seguir uma carreira tão complexa, é preciso ter gosto pela ciência e pela matemática).

E jeito para a coisa é o que não falta para Duília. Confere o currículo dela: graduada em Astronomia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1985); Mestre pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (1988); Mestre pela Universidade do Alabama (1993); Doutora pela Universidade de São Paulo (1995), com pós-doutorado pelo Instituto do Telescópio Espacial Hubble, nos Estados Unidos, e no Cerro Tololo Interamerican Observatory, no Chile. (Segura que tem mais). Além disso, trabalhou no Observatório Espacial Onsala, na Suécia (de 1999 a 2002), é professora titular, vice-reitora e pesquisadora do Instituto de Astrofísica e Ciência da Computação da Universidade Católica de Washington; autora de mais de 100 artigos científicos e dois livros sobre astronomia; e por fim, e não menos importante, colaborada do Goddard Space Flight Center, da NASA.

Mas não para por aí não, porque como falamos anteriormente, astronomia é coisa de mulher talentosa, SIM! Em janeiro de 1997, no Chile, Duília descobriu a supernova 1997-D* (vamos explicar o que é uma supernova, ok?), observando imagens captadas pelo telescópio do Observatório Europeu do Sul, pouco antes de trabalhar para a NASA. Ao analisar estrelas de uma galáxia, ela percebeu que havia uma “intrusa” ali e, movida pela curiosidade, descobriu que se tratava de uma estrela em estágio final que havia explodido há 53 milhões de anos-luz. Ela é responsável, também, pela descoberta das bolhas azuis** (também explicaremos o que é).

Colecionando descobertas, prêmios e conquistas, Duília nos mostra que podemos chegar a qualquer lugar quando acreditamos no nosso próprio potencial, indiferente do que as outras pessoas possam pensar. Que sejamos como ela, vendo o céu, não como limite, mas como uma alavanca para chegar mais longe, ao que ainda não conhecemos.

Notas da Fleurity:
Como apaixonada por astronomia que sou, fiz minhas próprias definições das descobertas da Duília para explicar para vocês:

*Supernova: é a morte (explosão) de uma estrela supergigante (para ter uma noção do tamanho, nosso Sol é considerado uma estrela anã). Essas explosões são tão intensas que, muitas vezes, podem ser vistas da Terra, assim se descobrem as supernovas.

**Bolhas azuis: São aglomerados de estrelas “órfãs”. Ãh? Estrelas órfãs, na astronomia, são estrelas que não fazem parte de nenhuma galáxia, como o Sol, por exemplo, que faz parte da galáxia Via Láctea. Geralmente elas são formadas por colisões de gases.

bruna

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