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Graziele Alves: a mulher que não perdeu a fé na vida

26 de março de 2018

Imagina você acordar às 3h, 4h da manhã e descobrir, pelos noticiários da televisão, que perdeu seu amor da adolescência. Tente pensar que um dia você está feliz, casada, esperando seu marido voltar para casa e saber que, na verdade, ele não vai voltar mais. Se coloque no lugar de uma jovem de 19 anos, que recém descobriu que será mãe pela primeira vez, que viu a felicidade estampada nos olhos do esposo ao saber da notícia e, do nada, terá que viver com a realidade de que ele nunca conhecerá o rosto do filho. Doloroso, não? Pois esta é a vida de Graziele Alves, viúva do jogador Tiaguinho, da Chapecoense.

A história de Grazi e Tiago ganhou repercussão internacional após o dia 28 de novembro de 2016, quando o atleta e outras 70 pessoas, entre jogadores, comissão técnica, jornalistas e tripulação perderam a vida no trágico acidente aéreo envolvendo a equipe da Chapecoense. Dias antes do acidente, Tiago descobria que seria pai pela primeira vez, em uma surpresa realizada por Grazi e gravada pelos companheiros de time. (assiste aqui, é impossível não se contagiar com a felicidade dele).

Os dois se conheceram na escola quando tinham 14 e 16 anos, respectivamente, e o amor só aumentou com o tempo. “Tiago era uma pessoa maravilhosa! As qualidades dele eram demais e eu só tenho orgulho do marido que tive, pois a cada amanhecer ele mostrava o verdadeiro sentido da palavra amor e se hoje me tornei a mulher forte que sou, foi porque ele me ensinou a ser assim”, conta.

Feliz, grávida, casada com o amor da sua vida e acompanhando a melhor fase profissional do esposo, Grazi viu seu conto de fadas transformar-se em pesadelo, literalmente, da madrugada para o dia. A notícia do acidente, as dúvidas, a esperança de que tudo ficaria bem, a confirmação de que Tiago não voltaria para casa e o pensamento de que, talvez, não conseguiria tocar a vida sozinha.

Nesses momentos, como todas sabemos, o apoio da família e dos amigos é fundamental para nos manter em pé. “Sei que muitas mulheres, assim como eu, passam por situações semelhantes. Sei que são momentos em que parece que não vamos aguentar, porque a dor da saudade é forte demais, sufoca. Mas aí paro e penso em todos os momentos bons que eu e meu marido vivemos juntos e quando bate aquela tristeza, lembro de cada detalhe da nossa vida juntos, do quanto fomos felizes e as lágrimas viram um sorriso”, reflete Grazi.

O sorriso maior veio alguns meses depois, quando realizou a ecografia e descobriuunnamed que o bebê seria um menino, que levaria o nome do pai. Tiago, o filho, se tornou sua maior força para realizar todos os desejos e sonhos que, em momentos mais felizes, Grazi e seu pai haviam planejado. Hoje, bebê Tiago tem 8 meses. Oito meses em que ele e sua mãe compartilham descobertas, experiências, sorrisos, momentos de alegrias, fragilidades e aprendem juntos como superar obstáculos que não estavam programados.

Ao ser questionada sobre que conselhos daria para quem passa por situações como a dela, que de alguma forma, de um dia para o outro, veem suas vidas viradas de cabeça para baixo, sozinhas e tristes, Grazi demonstra uma bravura que só quem é ensinado da maneira mais difícil pela vida, em tão pouca idade, é capaz de ter. “Para as mulheres que passam por essa situação, hoje venho desejar fé em Deus, força, muita força, e sempre se lembrar dos momentos felizes que se viveu. Devemos fazer com que eles, lá de cima, de onde estiverem, sintam orgulho da mulher forte guerreira que nos tornamos para fazer nossos filhos felizes”, conclui.

Que sejamos como Graziele Alves, capaz de ver cores quando a vida está cinza e sermos gratas pelo que temos, apesar das perdas dolorosas em nosso caminho. Que haja força, disposição e, principalmente, amor para vencer cada batalha que travarmos.

Blog - Bruna

 

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