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Helley de Abreu: a mulher que salvava anjos

5 de março de 2018

Olá, meninas,

Quais lembranças vocês têm de seus professores? Como era (ou é, para as novinhas) sua convivência com eles? Confesso que aprendi a valorizar, e muito, aqueles tinham sido meus mestres na escola depois de adulta, quando trabalhei como jornalista numa instituição de ensino da minha cidade. Dificilmente, durante a adolescência, com todo aquele batalhão de hormônios que nos acompanham nessa época, conseguimos vê-los como realmente são: pessoas com sentimentos, famílias, sonhos, boletos a pagar e uma paciência invejável.

Ser professor é se doar 100% ao trabalho. Saber que perderá finais de semana para preparar conteúdo, deixar de lado momentos importantes com os filhos e familiares porque aquelas provas não vão se corrigir sozinhas, aprender a lidar com as diferenças de alunos que não compreendem a importâncias de ser diferente. Ser professor é dar sua vida por pessoas que, como eu disse no início, não entendem a noção da importância que eles têm para o seu futuro.

Mas o que é dar a vida? Para alguns professores, como Helley de Abreu Silva Batista, o sentido do termo, infelizmente, foi literal. No dia 5 de outubro de 2017, o Brasil inteiro ficou sabendo como Helley entrou em luta corporal com o vigia que ateou fogo em crianças da creche em que a pedagoga trabalhava, em Minas Gerais. Mesmo com o corpo em chamas, a docente ajudou a tirar alunos da sala de aula, evitando que o número de vítimas fatais fosse muito maior.

Formada em Contabilidade, mas infeliz em meio aos números, Helley rumou para a Pedagogia, pois desde a adolescência adorava ajudar a tia, também professora, com os trabalhos de sala de aula. Estar com crianças ajudou-a, também, a lidar com a morte de um dos seus próprios filhos, aos 4 anos, vítima de um afogamento acidental.

A escola era seu refúgio. As crianças eram sua fonte de energia para seguir em frente depois da perda e aquela quinta-feira de outubro deveria ser só mais um dia de aprendizagens e diversões. Com a proximidade do Dia das Crianças, funcionários da instituição contam que Helley era uma das professoras mais empolgadas com os preparativos e organizações para o divertimento dos pequenos.

Como nossa existência é frágil, não? Em um segundo estamos fazendo planos de vida e no outro lutando por ela. Em sua batalha para defender seus alunos do agressor, Helley teve 90% do corpo queimado na tragédia que vitimou, ainda, outras 12 pessoas, a maioria crianças na faixa dos 4 anos de idade. De acordo com os bombeiros, o número de mortes seria ainda maior se não fosse a atitude heroica de Helley, que não sobreviveu para ver seus alunos crescerem.

Mulheres como ela, certamente, nos fazem pensar até onde chegaríamos pelo próximo, principalmente quando ele não faz parte da sua família ou grupo de amigos? Pelo que queremos ser lembradas? Será que nossas ações contribuem para isso? São questionamentos que nos fazem refletir sobre a importância de amar o que se faz, de rever nossos princípios, de valorizar a nossa vida.

Que sejamos mais como Helley de Abreu Silva Batista, heroínas sem capas e sem máscaras, mas com o superpoder mais raro de todos: o de doar sem esperar nada em troca. De inspirar quem nos rodeia.

Beijos,

bruna

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