Fleurity Girls comentam

Rafaela Silva: a mulher de ouro

12 de março de 2018

Mulher, negra e nascida na favela. A história de Rafaela Silva representa milhares de brasileiras esquecidas pela mídia, mas que batalham, diariamente, pela conquista de seus sonhos, muitas vezes distantes. Ainda pequena Rafa era conhecida na Cidade de Deus, comunidade do Rio de Janeiro (sim, aquela do emblemático filme do Zé Pequeno) como uma criança indomável e de gênio forte, muito forte.

Numa tentativa desesperada de fazer com que a filha parasse de nocautear as crianças da escola, os pais de Rafaela a inscreveram no projeto social Instituto Reação, onde faria aulas de judô, assim poderia canalizar as energias de maneira saudável. Desde o início a garota mostrou talento para o esporte, surpreendendo os técnicos, que viram nela um diamante a ser lapidado.

Depois de muito treino, disciplina e superações, pois sua família não tinha condições financeiras para bancar as viagens para competições, tornou-se, então, uma atleta da seleção brasileira e começou a participar de diversos torneios internacionais. Mas a vida não costuma ser fácil quando se é mulher, negra e da favela, não é mesmo?

Em 2012, durante a segunda rodada das Olimpíadas de Londres, Rafaela executou um golpe ilegal na judoca húngara Hedvig Karakas e foi eliminada da competição. Naquele momento, todos os acusadores de plantão nas redes sociais se voltaram contra ela. Com apenas 19 anos, teve que lidar com críticas e ofensas machistas e racistas de pessoas que não a conheciam, muito menos entendiam o momento difícil que estava vivendo, após acordar de um sonho olímpico não realizado. Insultada de macaca e vergonha da família, Rafaela pensou, seriamente, em abandonar o judô e sumir dos holofotes, afinal, apanhar no tatame dói menos que ter os sentimentos machucados.

Com o apoio incansável da família e treinadores, além de acompanhamento psicológico para superar o triste episódio, a atleta decidiu continuar no esporte e confiar, novamente, no sonho antigo de conquistar a medalha olímpica, que teria um gostinho especial: ocorreria no Rio de Janeiro, sua casa.

O que era dela estava guardado. Após vencer adversárias dificílimas, Rafaela se viu na final contra Sumiya Dorjsuren, líder do ranking mundial. E foi no dia 8 de agosto de 2016, no seu país, na sua cidade, diante do seu povo, que Rafaela Silva subiu ao pódio e ouviu o hino nacional brasileiro tocar em homenagem a ela, com uma medalha de ouro pendurada em seu pescoço.

De “vergonha da família”, ela passou a primeiro ouro olímpico do Brasil nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro; de vítima, passou a heroína do esporte brasileiro e inspiração para milhares de meninas que lutam por uma chance em esportes não valorizados em nosso país. Que sejamos como Rafaela Silva, capazes de enfrentar os obstáculos de frente, como lutadoras, mesmo quando os golpes da vida forem doloridos demais.

bruna

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